Quem faz correr as fontes é saciado pelo vinagre
2. Belíssima descrição dos últimos momentos da vida do condenado de Nazaré, daquele que chamamos de Mártir do Calvário! Ali, suspenso entre o céu e a terra, confiante no Pai, entregando-se ao Pai, temos um “trapo”, mas um ser que guarda sua dignidade até o fim. Um dos seus o trai com um beijo, aquele que é liberdade é preso com pregos, a verdade é acusada pela mentira, a bondade é machucada, o belo e digno ridicularizado. Nunca é demais meditar e refletir no abaixamento a que submeteu aquele que é nosso Mestre, esse que, ressuscitado, vive na Igreja, nos fala através das Escrituras, nos alimenta pela Eucaristia. Nunca é demais nos deter nesta cena de total aniquilamento e tanto amor tão bem descrita pelo Crisóstomo. O resultado só pode ser o do nascimento de uma compunção em nosso coração e o desejo de fazer com que nosso serviço de apostolado não seja medíocre, meramente funcional e friamente burocrático, mas cheio de ardor agradecido. Esta a finalidade de insistirmos tanto na contemplação do Coração do Senhor. A Igreja não pode ser outra coisa senão a reunião daqueles que contemplam até onde foi o amor do Crucificado.
3. João Crisóstomo fala daquele que faz correr as fontes, sendo que no momento de sua paixão tem sua sede saciada com o vinagre. E, depois de todos os passos da paixão, depois de tudo consumado, aquele que veio saciar nossas sedes mais profundas permitiu que o soldado lhe abrisse o lado e desse lado jorrou uma fonte nova: águia e sangue, alimento e bebida de vida, de vida eterna. A água que lava e o sangue que alimenta. A água na qual se afoga o homem velho e o sangue que nutre a vida mais profunda. Batismo e Eucaristia estão simbolizados nas águas do peito do Senhor, Aquele que na sua sede recebeu vinagre, morrendo, deu-nos as fontes de vida que nos saciam a sede e alimentam em nossa caminhada. O Deus que fez a terra e as águas, aquele que inventou um jardim bem irrigado, aquele que louco de sede recebeu uma esponja ensopada em vinagre abriu as comportas do Coração e cobriu de bens e graças os que contemplam seu peito dilacerado.
Frei Almir Ribeiro Guimarães
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